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A substância 

Se eu pudesse, eu falaria das coisas que não sei como sei. Essa frase me acompanha. Porque tudo o que escrevo vem desse lugar misterioso, um poço fundo onde moram saberes que não aprendi na escola, nem nos livros, nem nas estradas que percorri. Eles simplesmente estão. 

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Aqui, neste espaço, tento traduzir esses saberes em palavras. Não para explicá-los, isso seria impossível, mas para compartilhar o perfume deles. Para que você, que chega agora, talvez reconheça em si os mesmos conhecimentos misteriosos. Afinal, todos carregamos coisas que sabemos sem saber como.

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É daí que vem o jeito como escrevo aqui: uma colheita selvagem: vou catando ideias onde elas brotam, sem cerimônia. Não tenho um tema, tenho mania do momento. ​Categorias? Nem as espere. Tudo aqui é rascunho, tudo é experimento. Nem eu sei o que vem depois (e é assim que deve ser). Até as certezas têm pés de barro.

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Este espaço é para quem leva consigo apenas o essencial: sem ter sentido, fazendo sentido, mudando o curso pelo ouvir, não pela direção. Um lugar onde se erra criativamente e onde o "não entender" é parte da diversão, se você veio procurar respostas fixas, trouxe a mala errada. Traga sua curiosidade e uma lanterna: ainda estamos desbravando o escuro juntos.

 

Seja bem-vindo(a) a um lugar onde: O jardim adormecido somos nós, tentando decifrar o cosmos com lentes embaçadas. A coerência virá naturalmente, mesmo que o tema mude de significado conforme quem lê.

PS: Estou apenas expirando meu ar. Não escrevo para que o recolham, isso seria vaidade, mas se, ao passar, você sentir vontade de encostar seu fôlego no meu, há espaço na janela ao lado. Sem compromisso. Só o ar que vem e vai.

Eis a ironia: descobri que este gesto tão meu, tão íntimo, expirar só existe porque antes alguém (as árvores, os mares, você) expirou também. O ar que agora solto já passou por tantos pulmões, por tantas histórias, por tantos silêncios.

Então me pego pensando: se até o fôlego é coletivo, o que mais você acha que é só seu?

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O ar não tem cerca. Nunca teve.

Eis de onde venho, eis o mistério que me move. 
Eis como brinco com esse mistério, eis o convite pra você brincar junto. 

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Explore o Jardim 

Laboratório das Palavras Alquímicas. Rua dos Limiares, Entre-Lugares, Código de Entrega Poética, BRASIL

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